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Terras de Cister

O vasto território constituído pelos concelhos de Alcobaça e Nazaré, bem como parte do concelho de Caldas da Rainha, constituiu os «Coutos de Alcobaça».

Eram 13 as suas vilas e nelas foi deixado um valioso legado para nosso usufruto.

Sugerimos os seguintes circuitos:


I Circuito - Cidade de Alcobaça - Um passeio pela cidade de Alcobaça

Saindo do Mosteiro, pela sua entrada principal, na Praça 25 de Abril, vulgarmente chamada Rossio, e virando pela esquerda junto ao edifício dos CTT, de típica arquitectura do Estado Novo, temos acesso à Rua Frei António Brandão, passando-se pelo Restaurante Corações Unidos, um clássico que se destacou pelo célebre «Frango na Púcara».

Virando à direita pela Rua David da Fonseca, avista-se o Chalé Fonte Nova, bonito exemplar arquitectónico hoje convertido em Turismo de Habitação. Daí, percorrendo a Avenida João de Deus chega-se, na Rua Frei Estêvão Martins, ao Armazém das Artes, casa de cultura ligada ao escultor José Aurélio, com intensa programação cultural.

Subindo a mesma rua e continuando depois pela Rua Maria e Oliveira, chega-se às ruínas do Castelo, que remonta à ocupação árabe, depois conquistado pelas tropas de D. Afonso Henriques. Descendo pela Rua do Castelo, surge a Igreja da Misericórdia, que remonta ao século dezasseis. Do outro lado do mesmo Largo, denominado Cinco de Outubro, na Rua Virgínia Victorino, existe ainda a casa onde nasceu a poetisa e dramaturga, situando-se nesse edifício o «Café Tertúlia», espaço que cultiva o estilo de «café littéraire» e que, no final do século dezanove, já existia como casa comercial.

Ao fundo da Rua, uma ponte pedonal faz a ligação com os jardins da Biblioteca Municipal. Saindo da Igreja da Misericórdia e virando à esquerda pela Rua Frei Fortunato encontramos a «Galeria Conventual», dedicada ao comércio de antiguidades e, do outro lado da rua, avista-se o Palácio dos Costa Veiga, hoje parcialmente em ruínas.

Pela Rua Afonso Lopes Vieira, tem-se acesso aos campos de ténis situados nos jardins que envolvem o edifício da Câmara Municipal. Esta está instalada num chalé de finais do século dezanove.

Ao lado, o Jardim-escola João de Deus e, em frente, o edifício do Tribunal. Toda esta zona, denominada «Roda», representa o novo centro urbano da cidade, desenvolvido sobretudo desde meados do século vinte. Em frente à entrada da Câmara Municipal, cuja rotunda tem um monumento evocativo da Revolução do 25 de Abril da autoria de José Aurélio, segue a Avenida Manuel da Silva Carolino, onde se situa o Cine-Teatro, obra de Ernesto Korrodi recentemente recuperado. Descendo a Rua Dr. Brilhante, encontramos, na esquina com a Rua José Nascimento e Sousa, um sóbrio edifício setecentista e, ao fundo, a Igreja de Nossa Senhora da Conceição, construída no século dezassete no local onde existiu a Igreja de Santa Maria a Velha, abrigo dos primeiros monges cistercienses aquando do início da construção do Mosteiro. Em frente, ao lado da Casa Nossa Senhora da Conceição, existe uma ligação aos jardins traseiros da Biblioteca Municipal, instalada numa «casa de brasileiro», recuperada para as novas funções. Junto aos jardins, podemos ver a junção dos Rios Alcoa e Baça.

Do lado oposto, encontramos um bonito miradouro em pedra dos inícios do século dezanove, marco de um antigo solar já inexistente na Rua Frei Fortunato.

Prosseguindo pela Rua Araújo Guimarães, chega-se à Praça da República e, através do Arco de Cister ou do Arco de Claraval, atravessa-se para a Praça D. Afonso Henriques. Toda esta rua acompanha uma das alas do Mosteiro e, ao fundo, passando uma escadaria, de um dos lados do rio existe a «Casa do Retiro», chalé de início do século vinte que pertenceu à Família Rino.

Na Praça 25 de Abril, digna de registo é a casa setecentista onde se encontra o restaurante «A Casa». Toda a Praça 25 de Abril tem várias lojas dedicadas às louças artísticas e artesanato e, numa das esquinas, temos acesso à Rua Alexandre Herculano, que faz juz ao nome porque é conhecida, «Rua das Lojas».


II Circuito Alcobaça – Vestiaria – Bárrio – Valado – Pederneira – Sítio – Nazaré – Famalicão – S. Martinho do Porto – Alfeizerão – Cela – Alcobaça

Tendo como ponto de partida Alcobaça em direcção à Vestiaria, avistamos à direita a Quinta do Cidral, antiga granja do Mosteiro de Alcobaça. Ao fim da subida chegamos à povoação a que foi dado o nome Vestiaria por, nesse local, supostamente, se fazerem as vestes dos monges.  À direita encontramos a Igreja da Nossa Senhora da Ajuda, muito conhecida pelo seu portal manuelino, onde se encontram dois brasões do Abade Comendatário Jorge de Melo e o escudo e esfera armilar do rei D. Manuel I. 

Da Vestiaria seguimos para o Pinhal-Fanheiro, cortando à direita na rotunda, para o Bárrio, antiga granja do Mosteiro. Aqui o ex-líbris gastronómico são as «Queijadinhas Conventuais do Bárrio». 

Em direcção ao Valado dos Frades, encontramos à direita uma placa que nos conduz à Estação Arqueológica de Parreitas, uma vila romana que dominava geograficamente a entrada na Lagoa da Pederneira.

Ao descer, deparamo-nos no fundo do vale com os  Campos do Valado, originalmente terras pantanosas que o engenho dos monges transformou numa bela planície, extremamente fértil, que contribuiu para o enriquecimento da Abadia. Ainda hoje estes campos constituem importante fonte de receita para o Oeste, através da produção frutícola e hortícola. Aqui se situa a Quinta do Campo, antiga granja que conserva muito do traçado das edificações ligadas à Ordem de Cister. 

Seguimos em direcção à Nazaré até chegar à Pederneira, antiga vila dos Coutos e antigo porto,  cujos principais locais de visita são a Praça Bastião Fernandes, o antigo edifício da Câmara,  a igreja matriz da Senhora das Areias, a Igreja da Misericórdia e, à saída, a Ermida de Nossa Senhora dos Anjos.

Antes de visitarmos a praia, voltamos à direita e dirigimo-nos ao «Sítio da Nazaré», localidade associada ao muito conhecido  «milagre da Nossa Senhora da Nazaré». Obrigatório é visitar a Ermida da Memória, o Santuário de Nossa Senhora da Nazaré e contemplar a fantástica paisagem sobre a praia da Nazaré, que um olhar atento descobre bela e ainda «selvagem».

Saindo da Nazaré pela ponte das Barcas no sentido de São Martinho do Porto, à direita encontramos o acesso ao Templo Visigótico de S. Gião.

Continuamos e chegamos a Famalicão, sendo interessante visitar a sua Igreja, um templo remodelado que apenas conserva do original a respectiva torre sineira.

O percurso segue em direcção à baía de São Martinho do Porto, destacando-se aqui o miradouro e a Igreja Matriz. Após a visita a São Martinho, encontramos a estrada em direcção a Alfeizerão, antiga vila e porto de mar dos Coutos de Alcobaça. A não perder a Igreja Matriz, a Capela de Santo Amaro, o Pelourinho e a doçaria conventual (pão-de-ló de Alfeizerão e trouxas de ovos).

Posteriormente, encontramos o acesso com destino a Alcobaça. Ao chegar à localidade de Facho, desviamos para a esquerda no sentido da Cela Nova, mais uma antiga vila dos coutos de Alcobaça.  Destaque para o pelourinho manuelino erigido durante o abaciado de D. Jorge de Melo e para a Igreja de Santo André edificada no reinado de D. Manuel I.

Este segundo circuito termina com o regresso à cidade de Alcobaça.


III Circuito Alcobaça – Maiorga – Póvoa – Cós – Santa Rita – Castanheira – Chãos – Aljubarrota – Ataíja de Cima – Chiqueda – Alcobaça

O III Circuito tem início em Alcobaça, em direcção à Nazaré. 

A cerca de 2km encontramos a Fervença. Aqui, cortamos à direita no sentido da Maiorga, Póvoa e Cós.

A primeira povoação tem o nome de Maiorga, originário de Maiorca. Terá sido a maior vila dos Coutos de Alcobaça e a mais importante junto à antiga lagoa. Destacamos a Igreja Matriz dedicada a S. Lourenço e o pelourinho manuelino. Em direcção a Pataias, encontramos o cruzamento para Póvoa e Cós. No centro da povoação de Póvoa situa-se a Igreja de Nossa Senhora da Graça, cujo altar em talha e as  pinturas maneiristas representando santas beneditinas são dignos de nota. Da Póvoa dirigimo-nos para Cós, uma povoação muito cobiçada pela sua localização junto à Lagoa da Pederneira e pela riqueza dos seus campos, agricultados por iniciativa dos monges cistercienses. 

O ex libris de Cós é o seu convento de monjas cistercienses com uma decoração única entre as abadias cistercienses portuguesas. Destacamos a respectiva sacristia cujas paredes são decoradas com azulejos azuis e brancos da fábrica do Juncal constituindo dez painéis com cenas da vida de S. Bernardo de Claraval, bem como o Altar-mor em talha dourada e os caixotões em madeira  policromada dos tectos. 

É também merecedora de destaque a Igreja da Misericórdia, conhecida como Igreja de Santa Eufémia, padroeira da freguesia. No alto de uma pequena colina, encontramos a Ermida de Santa Rita. Daqui é possível desfrutar de uma  magnifica vista sobre a região.

Saímos da localidade, e chegamos a uma povoação de nome Castanheira, cujo destaque é a capela de Santa Marta. À saída da povoação, no meio de pinhais,  encontramos a capela da Senhora da Luz, associada à lenda de uma fonte santa que curava doenças com o poder da sua água. Continuamos para os Chãos de Aljubarrota com “Nossa Senhora das Areias” uma capelinha muito simples mas alvo de grande romagem pela sua ligação à cura de febres e outras maleitas.   

Aljubarrota é o nosso próximo destino, uma vila singular. Destacamos a Igreja de São Vicente, séc. XVI,  construída sobre as ruínas de uma ermida do séc. XII; o Largo do Pelourinho, a Igreja da Misericórdia, a Casa do Celeiro (onde eram cobrados os dízimos e rendas do Mosteiro de Alcobaça), o pelourinho quinhentista, a Torre Sineira, do tempo de D. Sebastião, e a Igreja de Nossa Senhora dos Prazeres, a mais antiga, local onde lendariamente D. Nuno Álvares Pereira terá rezado antes de partir para a Batalha de Aljubarrota.

A nossa viagem continua rumo à Ataíja de Cima, uma zona junto à serra caracterizada pelos seus olivais. Aqui encontramos as ruínas da Casa do Monge Lagareiro, com o brasão de Cister, local onde vivia o monge cisterciense destacado para coordenar os trabalhos no lagar.

Prosseguimos no sentido de Alcobaça, com passagem por Chiqueda, antiga granja e povoação muito importante associada à lenda da fundação do Mosteiro e à promessa de D. Afonso Henriques feita no Alto da Serra dos Albardos. 

O III Circuito termina com o regresso à cidade de Alcobaça.


IV Circuito Alcobaça – Capuchos – Évora – Serra dos Candeeiros - Turquel – Benedita – S. Catarina – Vimeiro – Alcobaça 

Este circuito tem início em Alcobaça em direcção à Benedita.

O primeiro ponto de visita situa-se apenas a 3kms de Alcobaça no lugar dos Capuchos, que deve a nomenclatura ao convento de frades capuchos que aí foi fundado, em 1566, pelo Cardeal D. Henrique. 

Évora é o lugar que se segue, mais uma antiga vila dos Coutos de Alcobaça. A Igreja Matriz e a Capela da Misericórdia, cujos portais e pias de água benta manuelinas, são de incontornável visita.

De seguida, é possível visitar na Serra dos Candeeiros o famoso Arco da Memória, ponto turístico associado à lenda que refere esse local como tendo sido aquele onde  D. Afonso Henriques fez o voto de doação dos terrenos à Ordem de Cister. 

Avançamos no percurso rumo a mais uma vila dos Coutos de nome Turquel. Aqui  destacamos  a Igreja Matriz da Senhora da Conceição, a Capela do Senhor Jesus do Hospital, a Capela de Santo António e o pelourinho manuelino.

Seguimos para a Benedita, local onde existiu a Casa de oração dos monges de São Bernardo. Na Igreja Matriz da Benedita, encontramos esculturas dos séculos XV, XVI e XVII sendo a mais emblemática uma «Senhora do Leite» datada do séc. XVI. 

No sentido de Caldas da Rainha e a cerca de 15 km a sul desta cidade encontramos Alvorninha também antiga vila dos Coutos de Cister. Aqui os monges tiveram uma grande influência no desenvolvimento agrícola e pecuário, tendo sido aí fundada a primeira escola agrícola monástica. Destaque para a Igreja de Nossa Senhora da Visitação, com um bonito portal manuelino e uma pia baptismal quinhentista, e a Igreja da Misericórdia, revestida a azulejos do século XVII. 

Regressamos à Benedita e continuamos em direcção a Sta. Catarina, antiga vila dos Coutos, com um pelourinho no largo da Igreja Paroquial, que ainda preserva os ferros que prendiam os condenados no momento da execução.

Seguimos para o Vimeiro e no caminho avistamos a Quinta do Vimeiro, antiga granja do Mosteiro de Alcobaça. Esta povoação é muito rica em fruta e aí encontramos grandes armazéns de comércio. Mais à frente a Mata do Vimeiro, que pertenceu ao Mosteiro e onde encontramos ainda um tanque de traça cisterciense.

Já de regresso, passamos pelas povoações de Acipreste e Valbom. Neste final de percurso a estrada é acompanhada pelo rio Baça que se junta ao rio Alcoa ao chegar à cidade de Alcobaça.

O IV Circuito termina em frente ao Mosteiro de Santa Maria.  

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